segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Recortes do Cinema Coreano


Sem dúvida o cinema coreano vem trazendo o que há de melhor na sétima arte, pelo menos nos últimos 15 anos. Prova disto é o genial diretor Park Chan-wook, de obras que incluem a habilmente engendrada "Trilogia da Vingança" e a poesia vampiresca de "Sede de Sangue"; e o mestre  Kim Ki-duk, do irrepreensível e incomparável "Primavera, Verão, Outono, Inverno... Primavera", dentre outros. Algumas outras obras primas que não estão na mostra e que também merecem ser mencionadas são filmes como "Mother - A Busca Pela Verdade", "O Hospedeiro" e "Três... Extremos".



Na mostra, que destaca produções recentes da cinematografia coreana, há um filme de Park Chan-wook que ainda não vi, mas pretendo. Contando os que já assisti, mesmo sendo poucos, já fiquei embasbacado com a variedade de gêneros abordados - fato que se faz mais óbvio ao lembrarmos que, na Coréia do Sul, as produções nacionais têm mais espectadores do que as de qualquer outro país. 

"Adeus, Mãe" é um dramalhão que é salvo dos clichês por ótimas atuações. "Cão Que Ladra Não Morde" é um belo ensaio sobre o que há de demasiadamente humano em pessoas demasiadamente humanas. "Funeral", um filme de Im Kwon-taek - que tem uma parte da mostra merecidamente dedicada a ele - lembra um pouco o cinema japonês de Kurosawa, com suas câmeras baixas, bela fotografia e um foco na tradição cultural e histórica de seu país, traduzindo uma monotonia gratificante. "Decolar" é um barato! Uma espécie de "Jamaica Abaixo de Zero" coreano, gostosa mistura de adrenalina, risos e lágrimas. O ponto baixo até agora foi "Mentiras", exaltado como uma mistura de "O Último Tango em Paris" e "O Império dos Sentidos", o filme deixa muito a desejar. Personagens e roteiro rasos, sexo por sexo, pancadas por pancadas... teria sido melhor passar a noite em casa e na frente do computador ligado no site xvideos.com. Para não detonar o bagulho completamente, há uma espécie de função metalinguística, beirando o making-off, que dá um toque singular à narrativa.



À partir de terça tem mais, vamos ver. 


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Cemitério Maldito (1989)


Bom, premissa indiscutível: a comparação entre o veículo impresso e sua adaptação cinematográfica é inútil. Isto é uma constatação. São veículos diferentes, ora bolas! Com tudo isso, a inutilidade muitas vezes se faz necessária por ser demasiadamente usual. Então vamos lá: o livro de Stephen King te puxa pelas bolas. A trama se desenvolve de tal maneira que a falta de profundidade, no que diz respeito ao aspecto humano, passa quase batida - isso apesar da loucura crescente do protagonista ser um dos fatores chave para sua interpretação.


 Já no filme, toda a minúcia referente aos sentimentos humanos torna-se mais rasa ainda. E quem disse que complexidade na formação de personagens é necessária para se fazer um bom filme de horror? O filme é do caralho. Ao escrever o roteiro, o próprio Stephen King, parecendo ciente dos diferentes canais midiáticos com que trabalhava, acertou na mosca. Atuações canhestras não nos privam de uma obra que lida com tabus, quase óbvios, os transgride e muitas vezes causa arrepios muito mais contundentes do que os de muitos filmes de terror produzidos na década de 80, como os slashers que estavam muito em voga.



Montagem e iluminação eficientes, efeitos anos 80 - nada dessa digitalização que pasteuriza o cinema atual, são os vetores que transpassam com sucesso a trajetória de um pai que faria de tudo para manter seus entes queridos a volta.


Curiosidade: uma vez estive em uma palestra com a diretora do filme, Mary Lambert. Ela disse que, apesar de ser fã de Stephen King, apenas aceitou dirigir o filme pois Dee Dee Ramone, que era muito seu amigo, havia lhe dito que compusera uma canção para fazer parte do que seria a adaptação do livro (O Cemitério). Nada melhor que começar o blog com a mistura perfeita entre bom horror e o melhor rock'n'roll.

PS: Atenção ao padre de um dos funerais.


Hey ho,

let's go!