quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

The Agony and the Ecstasy of Phil Spector (2009)

Phil Spector é um pioneiro da música americana, lendário por seu marcante trabalho como produtor musical de diversos artistas importantes. Em 13 de abril de 2009 ele foi condenado por assassinato.
O Spector que aparece neste documentário não é o réu sério com penteados bizarros apresentado pela mídia sensacionalista durante o seu julgamento, mas sim um encantador e experiente executivo do meio musical com uma perspectiva generosa, muito embora discutível, de seu próprio lugar na história da música popular americana.


Documentário extremamente envolvente. Nele explora-se o significado da técnica de produção denominada por Spector de "Wall of Sound". O espectador também entra em contato com o Phil Spector executivo, músico e compositor; facetas do artista menos conhecidas do grande público.
Interessante também são as várias estórias que o produtor conta sobre suas relações com figuras importantes da música pop: numa delas está John Lennon afirmando que, após Elvis Presley ter ido para o exército, quem teria salvado o rock'n'roll nos E.U.A. teria sido Phil Spector; noutra está Brian Wilson, enlouquecendo na ânsia de imitar, sem sucesso, a sonoridade da belíssima "Be My Baby", das supremas "Ronettes", grupo feminino cuja vocalista principal foi casada com Spector.
De resto, o filme procura abordar a progressão das perspectivas do crime pelo qual ele foi condenado. O assunto é bem interessante, mas menor diante do enorme talento de uma das figuras mais subjacentemente influentes da música pop do século passado.

Filme completo no youtube em inglês sem legendas. Imperdível!


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Carnaval de Almas (1962)

Depois de um acidente traumático, mulher é atraída a um local misteriosamente abandonado onde costumava acontecer festividades.


Provavelmente o filme que David Lynch sempre quis fazer, "Carnival of Souls" é mais um exemplo de como um orçamento baixo pode beneficamente aguçar a criatividade. A obra, que já começa com uma pancada, a posteriori vai se desnudando como um clima, uma sensação. Talvez nela esteja um dos enfoques mais despretensiosamente poderosos dados à paranoia de um pesadelo.
Sublinhando a etérea viagem do espectador está a incrível e fantasmagórica trilha sonora composta para órgão por Gene Moore - a protagonista da estória é uma organista de igreja - que se faz pontual. Outro destaque é para a fotografia economicamente bela, num jogo de contrastes de uma classe quase expressionista.
De resto, se há algum problema com o ritmo da narrativa que às vezes parece truncada, ele é eclipsado pelo resultado final do todo.

Filme completo em inglês no youtube sem legendas.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Lulu in Berlin (1984)

Louise Brooks fala de detalhes da produção de "Pandora's Box" e "Diary of a Lost Girl" e sobre seu colega Carl Goetz; sua convivência com o cineasta expressionista Georg Wilhelm Pabst, comparando seu método de trabalho com o de Ernst Lubitsch; seu encontro com Rene Clair; o motivo de Marlene Dietrich não ter sido a escolhida para interpretar Lulu; faz comentários sobre Greta Garbo e Leni Riefenstahl; e ainda apresenta considerações sobre o relacionamento com seu ex-amante George Preston Marshall.


"Por isso eu nunca fui uma atriz. Nunca estive apaixonada por mim" - esta é uma das frases ditas por Louise Brooks nesta longa entrevista que cumpre o que se propõe, trazendo mais humanidade ao mito numa viagem por uma parte da história do cinema. Vale conferir.

Primeira parte do documentário em inglês e sem legendas no youtube.

Segunda parte do documentário em inglês e sem legendas no youtube.

 Tereceira parte do documentário em inglês e sem legendas no youtube.

Quarta e última parte do documentário em inglês e sem legendas no youtube.


A Caixa de Pandora (1929)

A ascenção e a inevitável queda de uma jovem mulher amoral, no entanto ingênua, cujo erotismo indiferente inspira luxúria e violência àqueles ao seu redor.


Ótimo filme. Imperdível para amantes da sétima arte. As contribuições entre Louise Brooks e G.W. Pabst têm caráter icônico na história do cinema. E nem há um explicação lógica para isso. Certos acontecimentos são dotados de uma espécie de convergência que do acaso criam magia. Certamente "Pandora's Box" está à frente do seu tempo no tratamento usual de temas, uns mais e outros menos diretamente, muito espinhosos pra época como o homosexualismo, a prostituição, o incesto e a luxúria exacerbada. Não se deve esquecer que apesar de seus fins, há sim um ar de espírito livre para a posição da mulher na sociedade, levando-se em conta o machismo vigente. Também há uma certa complexidade na concepção dos personagens; como no caso do velho bêbado, meio pai, meio amante de Lulu. Nesta obra a sugestão, e não a certeza, é a regra.
No entanto, muito embora Pabst se mostre um exímio diretor de atores, extremamente detalhista com relaçao às questões que envolvem o cenário como um todo, isso incluindo figurinos, sombras e até fumaça em cena; deve-se considerar que ele está longe de ser um inovador e experimentador de técnicas cinematográficas da época, como é o caso de um Murnau, por exemplo.
A própria Louise Brooks não era uma grande atriz. E quem disse que se precisa ser uma grande atriz para se fazer história? Clara Bow, Marilyn Monroe, Jayne Mansfield e Brigitte Bardot estão aí eternamente para corroborar com a teoria de que a criação de mitos é algo para além da compreensão humana. O carisma destas figuras na tela, a maneira como a atenção do espectador é dragada para elas é algo divino que faz das questões profissionais meramente burocráticas. E a figura representada por Brooks, aquela da menina de cabelo chanel, de uma beleza pura e sexualidade andrógina que está no imaginário de todo cinéfilo, presumivelmente estará ligada ao trabalho de Georg Wilhelm Pabst para sempre. Fato.
Para fãs da eterna moçoila e do diretor alemão recomenda-se uma checada no documentário "Lulu in Berlin" que está divido em quatro partes no youtube.

Filme completo no youtube legendado em inglês.


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O Gato Negro (1981)

Os moradores de um vilarejo inglês começam a morrer numa série de 'acidentes' horríveis. Um inspetor da Scotland Yard chega para iniciar as investigações. Quando as suspeitas recaem sob um médium local, as misteriosas mortes vão se tornando bizarramente mais claras.


Bom filme de Lucio Fulci que consegue dar a sua versão de um conto de Edgar Allan Poe. O horror despudorado, áspero e grosseiro pelo qual o diretor italiano é notório aqui se faz presente nas cenas de morte e nos ataques do gato preto. Em tais momentos de ação, que incluem batida de carro, incêndio, queda seguida de perfuração e morcegos ávidos por sangue; o gore sobressalente junto à presença de dublês e bonecos dão ao filme uma aura artesanal e raçuda, com charmosos efeitos especiais canastrões. O exagero também está presente na obra por meio das atuações.
Contudo, surpreendente mesmo é o apuro técnico no uso das câmeras durante o desenrolar da trama. As mudanças sobre os objetos em foco e fora de foco num mesmo plano conduzem com maestria a atenção do espectador. Os closes abundantes nos rostos e olhos dos personagens cumprem seu papel sublinhando sentimentos e colocando em evidência a questão do domínio da mente. Os próprios movimentos das câmeras, com tomadas de ângulos inusitados e inúmeras subjetivas inspiradoras, são extremamente eficazes. Pra completar, há o uso do recurso narrativo do flash como numa homenagem aos clássicos "A Tortura do Medo" e "Janela Indiscreta". Dá pra perder?

Trailer em inglês sem legendas.

Download: torrent e legenda

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Feriado no Harém (1965)

Ao visitar um país no Oriente Médio, um ídolo das matinês chamado Johnny Tyronne é forçado a ajudar assassinos que desejam destronar o rei. Simultaneamente ele se apaixona por Shalimar, a filha do monarca.


Aqui Elvis Presley é Johnny Tyronne, herói de ação nas grandes telas e fora delas também. Basta considerar tal premissa para concluir que "Feriado no Harém" não é um filme para ser levado a sério. Para aumentar o clima caricatural, além de um cultura árabe retratada de maneira estereotipada e pasteurizada, fator condizente com os padrões gerais hollywoodianos, os números musicais, que contam com algumas canções muito boas, são bem deslocados. Aquela atitude tão comum a personagens do gênero musical, de sair cantando de repente do nada, que às vezes tanto incomoda, aqui é mais presente que em outros filmes com o Rei onde suas apresentações são melhor contextualizadas. Nestes filmes, por exemplo, o personagem de Elvis seria um músico chamado ao palco para cantar com uma banda: esta criação de atmosfera aumenta a verossimilhança e credibilidade da obra.
Enfim, credibilidade não é algo para se levar em consideração ao assistir "Harum Scarum". A grande sacada é se deixar levar pela curiosidade com relação à maneira como introduziram Elvis Presley no "mundo árabe", preparar pipoca e refrigerante, não esquecendo de reservar um espaço para dançar. E pronto. O filme vai ser aproveitado como deve e merece. O resto é a conclusão de que o Rei se sai melhor com um pé fincado em James Dean e outro em Marlon Brando do que tentando encostá-los em Rodolfo Valentino.

Trailer em inglês sem legendas.

Download:  torrent e legenda

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Lunacy (2005)

"O filme propõe, em essência, o debate ideológico sobre a gestão de um manicômio. Em principio, existem duas maneiras de fazê-lo. Ambas são igualmente extremas. Uma encoraja a liberdade absoluta; a outra, o método obsoleto e comprovado de vigiar e castigar. Mas há um terceiro método que combina e reúne os piores aspectos dos dois primeiros. É o manicômio em que todos vivemos hoje." Jan Svankmajer


Apesar de às vezes soar um pouco ingênuo para um filme de 2005 por adotar alegorias um tanto óbvias em relação às representações dos seres humanos, "Sílení" é um filme bom. Muito embora um tanto megalômano no propósito alardeado por seu diretor durante o prólogo, o de retratar o manicômio em que todos vivemos hoje, talvez seja um dos melhores filmes a lidar com universo sadeano de maneira não literal. Também há Poe nele, mas menos. Esta obra da República Checa, de uma perspectiva cinematográfica e temática, traz uma abordagem que está mais para um Buñuel ou um Ferreri do que para um filme de horror convencional. O terror aqui é a paranóia e o inferno do eterno retorno. De um senso humorístico quase sisudo, pois assumidamente pessimista, não recomendado para quem quer esquecer da natureza da própria condição de sua existência.

Trailer legendado em inglês.