sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O Gato Negro (1981)

Os moradores de um vilarejo inglês começam a morrer numa série de 'acidentes' horríveis. Um inspetor da Scotland Yard chega para iniciar as investigações. Quando as suspeitas recaem sob um médium local, as misteriosas mortes vão se tornando bizarramente mais claras.


Bom filme de Lucio Fulci que consegue dar a sua versão de um conto de Edgar Allan Poe. O horror despudorado, áspero e grosseiro pelo qual o diretor italiano é notório aqui se faz presente nas cenas de morte e nos ataques do gato preto. Em tais momentos de ação, que incluem batida de carro, incêndio, queda seguida de perfuração e morcegos ávidos por sangue; o gore sobressalente junto à presença de dublês e bonecos dão ao filme uma aura artesanal e raçuda, com charmosos efeitos especiais canastrões. O exagero também está presente na obra por meio das atuações.
Contudo, surpreendente mesmo é o apuro técnico no uso das câmeras durante o desenrolar da trama. As mudanças sobre os objetos em foco e fora de foco num mesmo plano conduzem com maestria a atenção do espectador. Os closes abundantes nos rostos e olhos dos personagens cumprem seu papel sublinhando sentimentos e colocando em evidência a questão do domínio da mente. Os próprios movimentos das câmeras, com tomadas de ângulos inusitados e inúmeras subjetivas inspiradoras, são extremamente eficazes. Pra completar, há o uso do recurso narrativo do flash como numa homenagem aos clássicos "A Tortura do Medo" e "Janela Indiscreta". Dá pra perder?

Trailer em inglês sem legendas.

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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Feriado no Harém (1965)

Ao visitar um país no Oriente Médio, um ídolo das matinês chamado Johnny Tyronne é forçado a ajudar assassinos que desejam destronar o rei. Simultaneamente ele se apaixona por Shalimar, a filha do monarca.


Aqui Elvis Presley é Johnny Tyronne, herói de ação nas grandes telas e fora delas também. Basta considerar tal premissa para concluir que "Feriado no Harém" não é um filme para ser levado a sério. Para aumentar o clima caricatural, além de um cultura árabe retratada de maneira estereotipada e pasteurizada, fator condizente com os padrões gerais hollywoodianos, os números musicais, que contam com algumas canções muito boas, são bem deslocados. Aquela atitude tão comum a personagens do gênero musical, de sair cantando de repente do nada, que às vezes tanto incomoda, aqui é mais presente que em outros filmes com o Rei onde suas apresentações são melhor contextualizadas. Nestes filmes, por exemplo, o personagem de Elvis seria um músico chamado ao palco para cantar com uma banda: esta criação de atmosfera aumenta a verossimilhança e credibilidade da obra.
Enfim, credibilidade não é algo para se levar em consideração ao assistir "Harum Scarum". A grande sacada é se deixar levar pela curiosidade com relação à maneira como introduziram Elvis Presley no "mundo árabe", preparar pipoca e refrigerante, não esquecendo de reservar um espaço para dançar. E pronto. O filme vai ser aproveitado como deve e merece. O resto é a conclusão de que o Rei se sai melhor com um pé fincado em James Dean e outro em Marlon Brando do que tentando encostá-los em Rodolfo Valentino.

Trailer em inglês sem legendas.

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Lunacy (2005)

"O filme propõe, em essência, o debate ideológico sobre a gestão de um manicômio. Em principio, existem duas maneiras de fazê-lo. Ambas são igualmente extremas. Uma encoraja a liberdade absoluta; a outra, o método obsoleto e comprovado de vigiar e castigar. Mas há um terceiro método que combina e reúne os piores aspectos dos dois primeiros. É o manicômio em que todos vivemos hoje." Jan Svankmajer


Apesar de às vezes soar um pouco ingênuo para um filme de 2005 por adotar alegorias um tanto óbvias em relação às representações dos seres humanos, "Sílení" é um filme bom. Muito embora um tanto megalômano no propósito alardeado por seu diretor durante o prólogo, o de retratar o manicômio em que todos vivemos hoje, talvez seja um dos melhores filmes a lidar com universo sadeano de maneira não literal. Também há Poe nele, mas menos. Esta obra da República Checa, de uma perspectiva cinematográfica e temática, traz uma abordagem que está mais para um Buñuel ou um Ferreri do que para um filme de horror convencional. O terror aqui é a paranóia e o inferno do eterno retorno. De um senso humorístico quase sisudo, pois assumidamente pessimista, não recomendado para quem quer esquecer da natureza da própria condição de sua existência.

Trailer legendado em inglês.


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

The Call of Cthulhu (2005)

Baseado no famoso conto de H.P. Lovecraft. Na estória, um professor moribundo deixa a seu neto uma coleção de documentos relacionados ao "Culto de Cthulhu". O neto começa a descobrir porque os estudos de tal culto fascinavam tanto seu avô. Pouco a pouco ele começa ter curiosidade com relação ao assunto, assim como seu avô, e começa a investigar, tomando isto como sua própria cruzada. Quando começa a perceber a pertubadora e mortal realidade da situação, sua sanidade começa a desmoronar.


Por mais que na análise de um filme a dissociação com relação à obra que lhe deu origem seja saudavelmente necessária, tal movimento fica difícil em "The Call of Cthulhu". O filme foi produzido pela "H. P. Lovecraft Historical Society", uma instituição gerada por e para fãs do grande escritor americano de horror. Desta maneira, o média-metragem é mais do que simplesmente baseado na estória mais famosa de Lovecraft, se colocando como uma homenagem a ela; singela, mas ainda assim celebrativa.
O tom referencial e reverencial se mantém nas escolhas estéticas e narrativas. Um filme de terror moderno em preto e branco, mudo e que faz uso de Stop Motion - a lista de elementos comuns a eras passadas do cinema poderia continuar - é metalinguístico. E, neste caso, tal articulação parece ter muito a ver com a possibilidade de se conceber para as telas a estória de Lovecraft com elegância dependendo de um orçamento limitado; afinal, recursos técnicos atuais discretos também são usados visando a praticidade.
O resultado é bem preciosinho. A boa trilha sonora dá o arremate vintage na obra. Fica a dúvida: pessoas que não são familiares com a obra de Lovecraft e/ou com o cinema mudo apreciariam este "The Call of Cthulhu"?
Maiores informações sobre o filme: http://www.cthulhulives.org/

 Trailer sem legendas

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Cenário inspirado pelo Expressionismo Alemão?

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Padre Pedro e a Revolta das Crianças (1984)

Padre Pedro é um homem obstinado à causa do catolicismo. Sua tarefa é defender e recuperar as igrejas ameaçadas pelos incrédulos e malfeitores. Vive viajando de cidade em cidade a fim de cumprir sua missão sagrada. É acompanhado por um carneiro e um bode. Ele chega a Serinhaem, uma velha cidade onde existe um grupo de indivíduos comandado pelo bandido Rodrigo Napu. Este elemento é temido pela população. Napu mandou fechar a igreja à qual um jovem sacristão continua fiel, sempre a espera de um novo padre. A presença de Padre Pedro começa uma série de aventuras.


Como é seu senso de humor? Dependendo da resposta é extremamente necessário que você veja o inacreditável "Padre Pedro e a Revolta das Crianças". Autêntico exemplar do cinema popular da "Boca do Lixo" esta fita, dirigida pelo curioso cineasta Francisco Cavalcanti, traz um elenco que por si só já vale a conferida: Pedro de Lara, José Mojica Marins, Gugu (ele mesmo, o apresentador), Wilza Carla e Ivo Holanda plus Carlinhos Aguiar (aqueles das "pegadinhas"). Como se as infinitas probabilidades inusitadas já não estivessem suficientemente sugeridas, eis que o argumento e roteiro da obra, assim como as músicas, são de autoria dele, que também é o protagonista da trama, o humorista Pedro de Lara.
Se alguma expectativa deve se criar num contexto desses é a de dar boas gargalhadas. E elas rolam. Muitos erros do ponto de vista técnico. E daí? Alguém estava esperando um primor de edição ou um trabalho competente do continuísta quando pensou em ver esta obra? Será que alguém ansiava por alguma mensagem séria que não fosse clichê? Por favor! O que se vê na tela é uma relíquia divertidamente despretensiosa, muito embora este resultado provavelmente não fosse a intenção de seus executores, de uma época do cinema brasileiro em que um trabalho artesanal atingia o povão em cheio. Legal.

Comercial do filme "Padre Pedro e a Revolta das Crianças" no Canal Brasil

                                        IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0441413/
Download: se alguém achar um link pra baixar, favor postar nos cometários!

Pusher (1996)

Filme dinamarquês que originou uma trilogia violenta sobre o submundo do crime em Copenhague. Aqui o foco é Frank, um pequeno traficante que vive de golpes e sofre para escapar da perseguição implacável dos grandes chefões do crime.


"Pusher" tem maior relevância quando colocado dentro do contexto geral da obra de Nicolas Winding Refn. O diretor dinamarquês, aos 24 anos, em seu primeiro longa já apresenta elementos centrais do que lhe confere, questionavelmente, o título de um dos cineastas mais autorais da atualidade.
A distinção no trato da violência sobressalta aos olhos do espectador. O recorte que se faz da constante tensão que atravessa a obra é sublinhado por câmeras inquietas e tremidas que acompanham os personagens numa espécie de proximidade voyeurística pessoal que cria grande empatia.
A narrativa é envolvente, mas "paradona"; nisso, a agressividade que subjaz no silêncio que faísca explode naturalmente e, por isso mesmo, choca em um nível maior. Este é o paradoxo que vem se fazendo assinatura do trabalho de Winding Refn e se mostra mais forte em exemplares posteriores de seu cinema como "Bronson" e "Drive", de maneira que "Pusher" parece um rascunho válido para tais obras maestrais.
Destaque para o uso da trilha sonora. Esta geralmente faz parte do ambiente; ou seja, tem sua fonte dentro do espaço onde a ação se desenrola. Um pingo de música pauleira aqui e outro ali, no meio de extensos silêncios, contribuindo para gerar aflição crescente; mais um tantinho de música árabe em ápices de adrenalina conferindo uma sensação toda peculiar e estranha às cenas.

Sequência do filme legendada em inglês.

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Olhos de Gato (1985)

Três histórias do mestre do terror Stephen King interligadas por um misterioso gato: um jogador de tênis é forçado a participar de um jogo mortal, porque tinha um caso com a mulher de um terrível mafioso; um homem descobre que parar de fumar vai ser um pesadelo maior do que temia e uma menina é aterrorizada por um pequeno monstro.


Filme de horror bem oitentão nos efeitos e estimulante em pequena escala num sentido cômico mesmo. Feito de três episódios que independem uns dos outros, em comum têm a presença dispensável de um gato que só se faz relevante na última estória. Tudo bem, era de se esperar mais de um roteiro de Stepehn King, mas a direção de Lewis Teague também não ajuda.
Contudo, o primeiro episódio é capaz de despertar reflexões sobre questões que envolvem disciplina; o segundo pode dar um nervosinho, especialmente em pessoas que têm medo de altura; e o terceiro garante, no mínimo, boas risadas. Enfim, num todo, uma boa diversão para almas despretensiosas e pouco exigentes.
Destaque para o uso óbvio e engraçado da música "Every Breath You Take" do The Police.
Ps: a pequena Drew Barrymore é melhor que a atriz "madura", fato.

Trailer sem legendas

Download: Torrent e Legenda