sábado, 30 de junho de 2012

Ilsa - A Guardiã Perversa da SS (1975)

Cruel comandante nazista  durante a Segunda Guerra, Ilsa realiza experiências de tortura em várias mulheres, utilizando-se da intenção de provar que elas têm maior resistência à dor que os homens. Com um comportamento beirando a demência, ela conduz suas teorias vis por meio do uso de métodos de extrema violência.
Também possuindo um apetite sexual descontroladamente voraz, Ilsa busca um homem que possa satisfazer seus desejos carnais e, enquanto não acha esse parceiro, castra aqueles que não lhe dão prazer. Ao encontrar um prisioneiro americano com grande controle sobre suas faculdades libidinosas, ele passa a ser a única esperança para todas as vítimas de Ilsa sobreviverem e escaparem do inferno do Terceiro Reich e de sua selvageria imoral.


Pilar do subgênero Nazi Exploitation (consultar Wikipedia para maiores informações), "Ilsa - She Wolf of the SS" é um filme de baixíssimo orçamento, porém nunca preguiçoso. Percebe-se que seus planos são intencional e cuidadosamente planejados e que cenas de violência em câmera lenta fazem recordar a criatividade Sam Peckinpah. Aliás, muito do horror gráfico mitologicamente atribuído ao filme é bem suave, quase sugestivo, se comparado a obras cinematográficas extremas do cinema moderno.
A grande questão de filmes como "Ilsa...", seu fascínio particular, assim como ocorre em "Salò" de Pasolini, reside na honestidade e sinceridade dos recursos visuais e narrativos usados para atingir seus objetivos. Estes filmes que se utilizam de regimes tiranos para ilustrar atos humanos atrozes tocam direto na ferida, às vezes literalmente.
Tal ferida está aberta até hoje, só que alguns preferem fingir que ela não existe cobrindo-a com um falho curativo. A erotização da violência faz parte da rotina. Hipócritas ou ignorantes a consomem diariamente pelas novelas, rádios, jornais, programas de humor e quaisquer outros veículos dos meios de comunicação de massa. Acontece que esta projeção se dá nas entrelinhas, numa área segura, para que este consumidor/espectador se sinta dentro da normalidade e, por consequência, no direito de julgar o que acha que não entende.
Obras como "Ilsa" são essenciais pois põem o espectador em contato com seu lado mais obscuro sem usar de subterfúgios. Levando em consideração algo tão extremo que beira o ridículo, e disso Buñuel entendia bem, rir e ter medo de si próprio encarando sua ambígua humanidade pode ser um processo quase catártico; no qual, no mínimo, se adquire um pouco de autoconhecimento.


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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Estrela de Fogo (1960)

Anos seguintes ao término da Guerra Civil. Homem branco e índios têm que conviver no Velho Oeste americano. Neste ambiente vive Pacer Burton (Elvis Presley), filho do rancheiro branco Sam Burton (John McIntire) com Neddy (Dolores del Rio), que pertence à tribo Kiowa. Quando o confronto entre os colonizadores e os nativos tem início, Pacer se vê envolvido pela violência gerada, apesar de tentar promover a paz entre os lados conflitantes.


Mais um grande filme de Don Siegel, desta vez com Elvis Presley como protagonista. Contando com pouquíssimos números musicais, mas não por isso, talvez seja este o papel com o qual o Rei conseguiu chegar mais perto da interpretação de um verdadeiro ator - objetivo por ele tão almejado. A trama que permeia este faroeste versa, principalmente, sobre o drama do "outsider". Sob a batuta de Siegel, que em nenhum momento apela para "lugares comuns" em suas soluções, Elvis trabalha fora do estereótipo que se convencionou como sendo "sua atuação"; ou seja, nada do garanhão que canta rock e conquista as moças. Provado que ele faz isso bem, mas não apenas isso.
Raro exemplo de filme com Elvis Presley que não precisa contar com o mesmo como atestado de qualidade (ou impropriedade, para seus detratores).


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A Tara Maldita (1956)

"Garota de oito anos é a maldade em pessoa, além de egoísta e mentirosa. Somente a mãe sabe a verdade sobre essa terrível criança. Rhoda, de rosto angelical, é capaz de elaborar planos diabólicos para conseguir tudo que deseja, uma sociopata mirim em potencial. Primeiro filme, onde temos uma criança como vilã, que influenciou uma leva de filmes do gênero: A Profecia, Aldeia dos Amaldiçoados, Anjo Malvado, A Órfã, etc."


O filme, adaptado de uma peça de teatro, é por muitas vezes construído como tal. E isto não é um demérito, apenas uma constatação - uma vez que com "Quem tem Medo de Virgínia Woolf?", grande obra do cinema, acontece a mesma coisa. Fato é que filmes que optam por este padrão estético/narrativo devem tomar alguns cuidados que passariam batidos ao público do teatro - nisto a montagem tem tanta importância quanto o roteiro e as interpretações na criação constante de situações que prendam a atenção do espectador no cinema. "The Bad Seed", cujo título em português é um lixo, tem sucesso neste quesito mas peca por ser um pouco longo e por seu desfecho, que parece ter sido feito nas coxas de uma maneira que não condiz com o resto do filme.
Algumas pessoas mais sensatas talvez se irritem com a premissa apresentada de que a psicopatia pode ser exclusivamente genética. Lembrem-se que estamos falando de um filme de drama/horror dos anos 50 que sugere e/ou lida diretamente com certas questões que são grandes tabus: menos incesto e pedofilia, mais assassinato - e assassinato em que o autor é uma menininha.
"Tara Maldita" é um filme transgressor e à frente do seu tempo; como diz na sinopse acima, precursor do subgênero "crianças do mal". Merece todo o respeito.


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domingo, 24 de junho de 2012

Gainsbourg - O Homem que Amava as Mulheres (2010)

"O longa retrata a vida de Gainsbourg desde sua juventude nos anos 40, em uma Paris ocupada pelos nazistas, até à sua transformação em compositor, cantor e poeta mundialmente conhecido como Serge Gainsbourg, ex-amante de Brigitte Bardot, ex-marido de Jane Birkin e pai de Charlotte Gainsbourg."


Ludicamente eficiente. "Gainsbourg - O Homem que Amava as Mulheres" é um clássico exemplo de como mentiras distorcidas podem contribuir mais para a HISTÓRIA do que meias verdades. Desta maneira, o mito de Serge Gainsbourg é explorado em quase toda a sua genialidade numa obra de ficção que dá de mil em muitos pseudo-documentários que existem por aí.
Tendo as atuações como um show à parte, o detalhismo que se conduz na narrativa durante o desenrolar da trama traz ao filme características de uma preciosidade lírica. Válido para amantes do artista. Válido para amantes do bom cinema.

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sábado, 23 de junho de 2012

Meu Tesouro é Você (1967)

"Era o ano de 1967. Acontece o jogo Packers contra Chiefs, no Primeiro Super Bowl. Twiggy é a top model do momento. Há 100 milhões de telefones instalados na América.E Elvis mergulha em busca de riqueza em Meu Tesouro é Você. Em seu último dia na Marinha, ele descobre um barco afundado. Em seu primeiro dia como civil, ele começa sua nova profissão: caçador de tesouros por conta própria. Fãs vão gostar desses tesouros também: rock, namoro com uma dançarina, ação debaixo d¹água e o Rei contorcido como um pretzel numa transada festa de ioga, bem ao estilo dos anos 60. Co-estrelando Elsa Lanchester (A Noiva do Frankenstein)."


 Este é o menos melhor filme com Elvis Presley. Há uma espécie de interação do Rei com a cultura beatnik e hippie vigente na época, 1967. Tal abordagem mostra como Elvis era distinto da "nova onda" por vezes traduzindo esta por um viés irônico. De resto, o espectador recebe mais do mesmo (só que um mesmo nem tão bom). O Elvis Presley em ambiente praiano, rodeado de mulheres bonitas e apresentando números musicais de dúbia qualidade pode entediar. Até as cenas subaquáticas, quase uma novidade para o período, não são bem exploradas. No mais, pra quem acreditava que "No Paraíso do Hawaí", de 1966, acabava com as pretensões de uma carreira séria no cinema para o Rei, "Meu Tesouro..." consolida tal opinião.


Download: torrent com vários filmes, selecionar apenas "Easy Come, Easy Go" quando abrir o programa e legenda

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Resenha "Mortos Entre Vivos"

Mortos Entre Vivos, de John Ajvide Lindqvist. Tradução de Marisol Santos Moreira. Editora Tordesilhas, 360 páginas. R$ 44,90


John Ajvide Lindqvist, nascido em 1968, é mágico e comediante stand-up; ele também é escritor. Seu primeiro romance, Lat den ratte komma in, deu origem ao contemporâneo clássico cinematográfico de horror Deixa ela entrar (Suécia, 2008).  Mortos entre vivos é seu segundo romance.
Ao contrário do alardeado em sua capa, o livro, lançado no Brasil pela editora Tordesilhas e com tradução direta do sueco, está longe de lembrar “Stephen King na melhor forma.” Aliás, o terror de Mortos… está para os zumbis como A Saga Crepúsculo está para os vampiros - no sentido de transformar os monstros em seres que não oferecem perigo imediato e são quase dignos de pena. Lembrando que isto já poderia restringir a obra a certo tipo de público.
Tirando esta constatação, há o fator narrativo. Lindqvist tenta manter o leitor antenado dividindo a estória em tramas com horários consecutivos, o que daria uma falsa impressão de tempo real. Mesmo com tal esforço, que chega a segmentar os parágrafos por comunicados de Ministérios e entrevistas no rádio, fica difícil o maior interesse e curiosidade por parte de quem tenta adentrar no universo de uma Suécia moderna abruptamente incomodada por “revividos”.
Os principais núcleos de personagens, que incluem uma menina fã de Marilyn Manson e sua avó; um jornalista, sua filha e neto morto-vivo; e um ator que tem um filho com uma mulher recém-falecida, e suas inter-relações são tão mal explorados que fica difícil a criação de empatia.
O começo, com mortos revivendo sem nenhum motivo aparente, é interessante. Mais do que a descrição dada pelo autor do momento em que isto acontece - parte de rara angústia e morbidez no livro -, o simples fato da mola propulsora da obra ficar sem explicação é um grande ponto positivo, como nos filmes de George A. Romero. E quem se importa com o motivo de zumbis existirem se eles estão existindo?
Mesmo assim, em seu desenrolar, o romance vai assumindo uma perspectiva água com açúcar que é difícil de engolir. O final, que por um lado mostra a falta de misericórdia humana, abranda a mesma com uma espécie de redenção da alma através de uma figura denominada “Pescador”. Vai entender. A única explicação plausível está em acreditar que o atual "terror de massa" tem um novo e crescente público-alvo.
Enfim, a torcida é para que seja lançado aqui o Lat den ratte komma in e que ele tenha, pelo menos, um terço do lirismo macabro do filme sueco que inspirou.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Dear Mr. Gacy (2010)

"Uma história real. Do mesmo produtor de "Monster - Desejo Assassino", o drama é baseado nas experiências do estudante Jason Moss (autor do livro "The Last Victim " no qual o filme se baseia) e em seu relacionamento com o notório serial killer John Wayne Gacy.
Jason vivia com seus pais em sua casa no subúrbio, estudava e tinha uma namorada, Jason parecia ter uma vida normal. Em contrapartida, ele estava sempre procurando por um desafio e por um jeito novo de se sobressair. Como parte de um trabalho de escola, ele envia uma carta para John Gary na prisão, retratando-se como uma criança vulnerável. Gacy, no inicio suspeita, e coloca Moss em testes emocionais via telefone e cartas, antes de confiar nele. O que sucede é um jogo emocional de gato e rato entre dois mestres da manipulação, no qual a vida de Jason passa por altos e baixos enquanto Gacy descobre mais sobre si. Gacy convida Jason para uma visita privada na cadeia, Jason aceita, mas o garoto nunca poderia imaginar como isso mudaria sua vida."

 Montagem com fotos de John Wayne Gacy.

Capa do livro de Jason Moss, The Last Victim.

 Gacy (esq.) com Jason Moss (dir.).

O filme não é um primor em recursos técnicos, narrativos e tampouco no que diz respeito às atuações do elenco; mas se presume que seja extremamente eficaz para os espectadores que procuram assisti-lo sabendo previamente do assunto de que ele trata.
Pessoas com fascínio pelo lado negro da natureza humana dificilmente não se identificarão com o personagem protagonista, Jason Moss - e isto faz toda uma diferença. Uma fagulha de empatia numa estória pode ser suficiente para agarrar quem a acompanha pelo tempo necessário para que ela se desenvolva.
Enfim, mais: se "Dear Mr. Gacy" não explica a fixação de certas pessoas por assuntos mórbidos, ele reflete questões muito interessantes para discussões, e isto levando em conta todo tipo de espectador.
Curiosa deve ser a leitura do livro no qual o filme se baseou, "The Last Victim", de Jason Moss. No mínimo um desafio à compreensão.

 
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segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Monstro Canibal (1988)

"Jovem desenhista de quadrinhos retoma as aventuras de monstro criado por autor morto misteriosamente 30 anos antes. Ao fazê-lo, ela atrai para si a maldição da criatura que protagoniza as histórias, o Monstro Canibal. Esse ser terrível não mata suas vítimas, mas as absorve, assumindo suas características genéticas."


"Cellar Dweller" é um filme simples e honesto em seu objetivo: entreter o espectador. Não há outras pretensões. Até a maioria das referências artísticas que aparecem na rotina dos personagens são propositalmente e animadoramente superficiais. A única forma de arte com a qual o filme dialoga explicitamente de maneira interessante, que para alguns pode ser óbvia demais, é o formato hq. Pode-se dizer que "Cellar Dweller paga tributo indireto à revista "Tales From the Crypt", popular e percursora publicação da EC Comics durante os anos 50 que trouxe todo um tipo de estética e temática inovadoras ao horror para o universo dos quadrinhos e que, consequentemente, influenciou a abordagem cinematográfica com relação ao gênero em questão. O enredo do filme discutido, em todos os seus pormenores, isso sem contar com sua narativa e enquadramentos, soa como uma singela homenagem oitentista à "Tales from the Crypt"; e o fato de ser oitentista justifica a mão mais pesada no gore e os efeitos especiais "charmosos", quase artesanais, que marcaram aquela década. Válido.


Singapore Sling (1990)

"Um homem sem nome (mais tarde apelidado de Singapore Sling) procura Laura, a sua mulher misteriosamente desaparecida sem deixar nenhum rastro. Na sua busca vai parar em uma casa onde uma mãe e filha habitam um ambiente de loucura, depravação e morte.Então ele se vê obrigado a entrar nos jogos de tortura sexual das duas mulheres completamente loucas, e, consequentemente compreende verdadeiramente o local onde se encontra."


Filme de uma originalidade perturbadora. Muito bonito e sensual de um prisma pervertido e infantil. Tragicômico, se levado demasiadamente a sério.
Em aspectos mais técnicos o destaque fica para a fotografia: simplesmente um primor. Cada frame é em si um retrato com temática própria, com toda a riqueza de detalhes e explorações de profundidade de campo dignas de mestres da área, como um Araki ou um Joel-Peter Witkin.
As interpretações das protagonistas também são instigantes. O exagero dá um tom caricatural de teatralidade que se concretiza na comunicação direta com o espectador tornando este, de uma maneira conscientemente estranha, cúmplice dos processos turbulentos que ocorrem no decorrer da estória.
Num todo, uma experiência imperdível.


domingo, 17 de junho de 2012

Screamin' Jay Hawkins: I Put a Spell on Me (2001)


Retrato de um importante músico americano através de relatos de seus colegas músicos e outras pessoas com quem conviveu, além de material de arquivo e registros de vários estágios de sua vida e carreira.


Memória... a memória coletiva mundial é relapsa. No sentido de recuperá-la reside uma das nobrezas do cinema, especialmente o do gênero documental. O documentário em questão é um válido retrato de um dos mais fantásticos músicos americanos de meados do século passado: Screamin' Jay Hawkins. Tão subestimado quanto original, Hawkins tem uma migalha de sua complexa vida exposta como um raio neste filme grego, que está em sua íntegra no youtube e que, até há pouco, não estava cadastrado no filmow. Este é o tipo de pérola que deveria ser mais divulgada e apreciada. Pelos depoimentos de gente como Bo Diddley e Jim Jarmusch, além do próprio Jay Hawkins, um olhar de relance se transforma em profundo exame levando-se em consideração a transbordante riqueza do material abordado. Isso sem mencionar as alucinantes imagens de apresentações de Hawkins, dentre elas registro de seu último show.

Filme inteiro sem legenda.

No Paraíso do Havaí (1966)

"Após ser demitido de empresas aéreas por ser muito namorador, um jovem piloto (Elvis Presley) se associa a um amigo inaugurando um serviço de charter no Havaí, para levar os turistas aos lugares mais belos. Lá ele aproveita para namorar algumas das beldades locais, que passam a lhe fornecer uma boa clientela. Mas tudo pode ir por água abaixo quando ele, ao transportar os cães de uma milionária, acaba quase provocando um acidente com o chefe da Agência de Aviação Federal."


Filmes com o Elvis Presley nunca são de todo ruins. Por essa razão, e somente por essa razão, "No Paraíso no Havaí" pode ser considerado mediano. A obra, de 1966, cheira a decadência. Ao contar apenas com o carisma de Elvis, sendo relapsa em quase todos os outros aspectos cinematográficos, esta produção por vezes quase expõe o Rei ao ridículo de ser uma paródia de si mesmo em prévias épocas áureas. E isso faz um triste sentido, uma vez que "No Paraíso..." parece um genérico de "Feitiço Havaiano", filme com Mr. Presley de 1961 muito mais divertido. Com atuações que não cativam e números musicais nem tão bons assim, o destaque fica para a cena em que Elvis interpreta a canção "A Dog's Life" enquanto pilota um pequeno helicóptero e uma bonita menina tenta ajudá-lo a controlar cinco cachorros que estão a tocar o terror dentro da pequena cabine - saudades de "Hound Dog".


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Eles Vivem (1988)


"John Nada (Roddy Piper) é um trabalhador braçal que chega a Los Angeles e encontra trabalho numa fábrica. Durante uma inusitada operação repressiva, a polícia destrói um quarteirão inteiro do bairro miserável em que vive. Na confusão Nada encontra óculos escuros aparentemente comuns, porém ao usá-los consegue enxergar horrendas criaturas alienígenas disfarçadas de seres humanos, bem como as mensagens subliminares que elas transmitem através da mídia em geral. Nada percebe que os invasores já estão controlando o planeta e, juntamente com seu companheiro de trabalho Frank (Keith David), decide se engajar no movimento de resistência, que é perseguido como subversivo pela polícia."


Os filmes de ficção científica e/ou horror há muito se provaram solo fértil para a formação de alegorias com relação às questões sociais e políticas da humanidade. O fato desta constatação ser notória torna muitos filmes atuais dos gêneros antes citados, tentando se utilizar de tais ferramentas metafóricas, pretensiosamente ingênuos. Inúmeros clássicos como "A Noite dos Mortos Vivos", de Romero, e "Vampiros de Almas", de Don Siegel, seguem inabaláveis como agulhadas nos cineastas mais modernos que decidem adotar esta perspectiva.
"Eles Vivem" passa no teste. O filme, de fins dos anos 80, pode parecer datado se contrastado à era de hiper informação atual (afinal, é uma obra pré-internet). Mas boa arte não precisa adivinhar o futuro, basta ser atemporal. E nisto esta obra de John Carpenter se conserva. Para além de distopias afins, o enredo se centra no tipo de jogo de poder que há milênios reina na civilização ocidental. Adicione-se a isso um tanto de ação satisfatória e bom humor. Pronto: mais um ponto para o Sr. Carpenter.

Filme completo com legenda.

O Seresteiro de Acapulco (1963)

"Mike Windgren (Elvis Presley) é um trapezista que sofre um trama, pois durante uma apresentação não conseguiu segurar os braços do seu irmão, que morreu na queda. Assim vai trabalhar no Acapulco Hilton, na parte do dia como salva-vidas e à noite como cantor. Lá se apaixona pela diretora social assistente, Marguerita Dauphin (Ursula Andress)."


"O Seresteiro de Acapulco" está longe de figurar entre os melhores filmes com Elvis Presley. Enredo inverossímil, direção mambembe e uso por demais criterioso de dublês para Elvis.
A típica visão datada e estereotipada dos norte-americanos com relação aos estrangeiros, especialmente os mexicanos, pulula durante todo o filme; e o Rei "pegador" contracenando com atores infantis soa menos repetitivo do que convincente no contexto geral.
Destaque para a interpretação da música "Bossa Nova Baby" que, apesar do título, é fantástica. Enfim, filme com Elvis... sempre bom ver. Sempre divertido.


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Rapidshare parte 1 
Rapidshare parte 2
Rapidshare parte 3
Rapidshare parte 4
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sábado, 9 de junho de 2012

O Rei da Morte (1990)


"O segundo longa metragem de Jorg Buttegereit tem como protagonista principal a morte, naquele que é um dos temas recorrentes de todos os seus filmes. Uma menina vai escrevendo o seu diário "Der Todesking" ao longo de sete episódios que percorrem os sete dias da semana, intercalados pela imagem perturbadora de um cadáver flutuando que se vai decompondo. O poder da transgressão e da provocação assente nos fantasmas e receios mais profundos do ser humano."


Belíssimo. Poucos filmes são tão angustiantes quanto os de Jörg Buttgereit. Seu terror não é do tipo catártico, como numa montanha-russa na qual se leva sustos para depois dar risos de alívio; tampouco busca o choque pela repugnância. Buttgereit quer fazer o espectador pensar, através do autoral/artístico, sobre um tema perene em sua obra: a morte. "O Rei da Morte", filme lento e austero, expõe esta realidade, evitada pela maioria dos mortais, com toda sua inexorabilidade tão profundamente quanto um livro de Cioran. Obra-prima.


Feitiço Havaiano (1961)


"Após prestar o serviço militar, um jovem (Elvis Presley) volta para a casa dos pais em Honolulu, no Havaí, e começa, contra a vontade deles, a trabalhar em uma agência de turismo. Ao mesmo tempo seduz as funcionárias do hotel ao som de românticas canções."


Filmes com Elvis Presley são sempre divertidos. A execução de clássicos como "Can't Help Falling in Love" e canções menos conhecidas num mix inusitado até então no repertório do intérprete, como a fusão entre música havaiana e rock'n'roll, são shows à parte.
Eficientes exemplos do que era o verdadeiro "Star System", o carisma às vezes desajeitado e datado do Rei, para além da exuberância das mulheres do elenco, é o suficiente para sacudir e fazer os filmes acontecerem. O fato de o roteiro ser bem amarrado e a direção enxuta não conta tanto quanto a simples presença de Elvis - o entertainer prefeito para filmes de entretenimento de boa qualidade.


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Espíritos Negros (2010)

"A jovem Johanna é atacada e morta. Seu pai recebe a notícia de sua morte, mas estranha o fato da filha ter acabado de entrar pela porta de casa. A partir de então, estranhas coisas acontecem a Johanna, levando-a a um estado quase de zumbi. Seu pai, então, parte em uma busca arriscada para saber o que aconteceu."


Interessante mais pelo fator curiosidade. É legal para fãs do gênero ver como o horror se traduz através das telas de diferentes culturas. Aqui se trata de um filme norueguês que, apesar do primor técnico, peca por inverossimilhança em certos quesitos, como desenvolvimento de enredo.
No entanto, alguns sustinhos são garantidos e, como está escrito no começo, um filme de terror que vem da mesma terra de Munch, A-ha e bom bacalhau - pra quem curte -, por si só faz válida a checada.

Trailer em HD com legenda em inglês.

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O Diário de um Jornalista Bêbado (2011)


"Em meados de 1960, Paul Kemp (Johnny Depp), um alcoólatra divorciado e romancista, foge para San Juan, Porto Rico, onde trabalha como um réporter para um jornal. Rapidamente faz amizade com um rapaz do local, e juntos vivem uma vida feliz de rum e alucinógenos até que um desenvolvido esquema de corrupção em que estão envolvidos entra em colapso."


"Rum: Diários de um jornalista bêbado" é o livro mais romanceado do mestre Hunter Thompson. Famoso por seus excessos e estripulias, que reverberam em sua escrita, em "Rum" o rei do jornalismo gonzo saúda o estilo de Fitzgerald, assumidamente um de seus ídolos.
Com isto em mente, o filme "O Diário de um Jornalista Bêbado" parece uma adaptação fidedigna e adequada do livro de Thompson. Quem espera os exageros alegóricos de um "Medo e Delírio em Las Vegas", livro mais popular do escritor também adaptado para o cinema, pode se decepcionar. Os mais familiarizados com sua obra acharão o filme, no mínimo, justo. Momentos de humor característico de Thompson são destaque sob a tutela do bom Bruce Robinson. No mais, bom ver Johnny Depp sem a caricatural afetação que o vem acompanhando em seus últimos trabalhos.

Trailer em HD e legendado.

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Hellboy (2004)

"Já perto do fim da 2ª Guerra Mundial, os nazistas tentam eliminar seus inimigos usando magia negra. Uma das experiências feitas é a tentativa de invocar forças ocultas. Um deste rituais é interrompido pelas forças aliadas, que encontram um garoto com aparência de demônio e a mão direita feita de pedra, apesar do ritual não ter sido concluído. O garoto passa a ser chamado de Hellboy e é levado pelos Aliados. Sessenta anos depois, Hellboy agora luta pelo bem e é chamado quando um estranho fenômeno, possivelmente sobrenatural, acontece."


Boa adaptação de uma boa hq. Filme sobre a dificuldade de se enquadrar em padrões vigentes. A mensagem explícita, no caso "O homem é feito de suas escolhas", soa redundante. No todo, a obra está aquém da maestria de Guillermo del Toro.
Entretanto, Ron Perlman é o próprio Hellboy, Selma Blair é interessante e é sempre bom ver John Hurt atuando. Outro ponto positivo é o fato de não acontecer abuso de efeitos digitais, erro constante em filmes deste gênero. Bom conferir.


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quinta-feira, 7 de junho de 2012

A 20 Milhões de Milhas da Terra (1957)

"Estrelando William Hopper e Joan Taylor. Frank Puglia, John Zaremba, Thomas B. Henry, Tito Vuolo, Jan Aevan, Arthur Space, Bart Bradley. O gênio dos efeitos especiais Ray Harryhausen (Jason and the Argonauts, Clash of the Titans) apresenta um dos seus primeiros inovadores trabalhos, disponível pela primeira vez em vibrantes cores! Quando uma espaçonave americana cai na costa da Sicília, o time de resgate descobre que a tripulação trouxe consigo uma massa gelatinosa que logo se transforma em uma estranha criatura bípede que rapidamente aumenta de tamanho. Ao atingir sete metros, a criatura invade Roma e antes de ser destruída procura refúgio no Coliseu."


Difícil não amar qualquer filme que tenha Ray Harryhausen cuidando da animação. Mais difícil ainda quando o mestre da “stop-motion”, em toda sua magnitude, cria o “Ymir”: uma das criaturas de conceito estético mais inspirado dentre todas as dos filmes de monstros.


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Vício Frenético (1992)

"Mergulhado no universo das drogas e do jogo, um tenente de polícia de Nova York inicia sua descida 'rumo ao inferno'. Mas dois acontecimentos vão lhe dar a chance de redenção: um torneio de beisebol e o trágico estupro de uma jovem freira."


Filmes que abordam o processo de “redenção” geralmente caem em algum lugar comum. Não é o caso de “Vício Frenético”. A obra não é divertida, é densa – não que uma coisa se oponha à outra, é apenas uma constatação. O roteiro é inquietantemente bem amarrado; a direção, primorosamente construtora do clima infernal – aqui demonstrado como impotencialidade perante uma espécie de ENTERNO RETORNO; e, pra completar, a atuaçao de Harvey Keitel é acachapante.
O resultado é um belíssimo ensaio sobre o vazio da existência onde o perdão é a única esperança tão fugaz quanto improvável. Boa expressão do todo, parafraseando muito mais ou menos um monólogo que ocorre durante o filme: “Felizes são os vampiros que podem sugar dos outros. Nós nos sugamos e vivemos na isaciabilidade".


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Sedução e Vingança (1981)


"Uma jovem tímida e inócua começa a enlouquecer depois de ser estuprada duas vezes em um mesmo dia. Aos poucos vai se transformando em uma implacável femme fatale, conforme sua sede de vingança se acentua - assassinando homens com uma pistola 45."


Visceral e autoral filme sobre tensão sexual. De uma época em que o termo "filme independente" significava mais uma obra quase artisticamente artesanal - isso sem levar em conta os aspectos de produção - do que uma roupagem destinada a atrair determinado segmento de espectadores.

Filme completo em inglês sem legenda.

Napoli, Napoli, Napoli (2009)


"Com histórias paralelas, imagens de arquivos e entrevistas com presidiárias; Abel Ferrara mostra os longos braços da Camorra, a máfia napolitana."


Desde "Nanook do Norte" há uma acalorada discussão sobre quais filmes devem, ou não, ser considerados como fazendo parte do gênero documentário. Em épocas Pós-Michael Moore, espera-se que tal discussão tenha se esvaído de relevância, pois a objetividade do documentário, assim como a do jornalismo, se revela obviamente como um mito. Dito isto, "Napoli, Napoli, Napoli" se mostra intenso e pungente, tanto quanto qualquer filme de ficção bem sucedido nesta tendência, se utilizando dos mesmos recursos convencionais narrativos e sonoros de função ficcional. O resultado é um eficiente ensaio sobre a falta de perspectiva humana.

Filme completo com legenda em inglês.


A Catedral (1989)

"Na Era Medieval, uma catedral é construída para abrigar e esconder corpos de pessoas consideradas possuídas por demônios. Séculos depois, um jovem bibiotecário libera o mal que está sob a construção ao remover uma pedra nas catacumbas. Ao redor, uma série de eventos macabros começa a acontecer e o padre Gus parece ser o único a não estar possuído. Portanto, cabe a ele a tarefa de evitar o caos na cidade ao encontrar um segredo, na própria igreja, que libertará a cidade dos demônios."


Fãs de horror italiano: o que acham de ver um filme de Michele Soavi com Asia Argento atuando ainda adolescente? E mais, numa produção de seu pai, Dario? E mais ainda, num filme em que um dos roteiristas, junto ao próprio Dario, é Lamberto Bava- filho do Mario?
Bom, se a esta altura você se pergunta "Que Mario?", esqueça "A Catedral". Bons momentos existem: gore vigoroso, ótimas ambientações e sugestões de clima - com trilha sonora executada pelo "Goblin" - e tema no que se refere ao gênero de terror, especialmente o tipo executado no cinema italiano.
No entanto, para os "não-aficionados", o filme pode parecer descartável; afinal, nem todo mundo está disposto a enfiar a mão numa latrina de merda em busca de diamantes que podem nem vir a ser reais.


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Garotas! Garotas! Garotas! (1962)

"O guia de pesca Ross Carpenter (Elvis Presley) tem duas paixões... o mar e Garotas! Garotas! Garotas! Sonhando em ter seu próprio barco algum dia, o carismático pescador trabalha também como cantor de um hotel para ganhar dinheiro. No placo ele atrai a atenção de todos e os olhares de mais de uma garota. Dividido entre a festiva atração principal da boate (Stella Stevens) e a charmosa socialite, que posa de moça trabalhadora (Laurel Goodwin), Ross tem que decidir qual será a garota de sorte que vai fazer seu coração cantar."


O carisma de Elvis Presley faz com que os filmes nos quais atua sejam quase um subgênero. Pois bem, este é mais um filme do/com o Rei. Um pouco datado? Talvez, questões morais ultrapassadas como Elvis tratar as mulheres de estilo mais liberal com certa indiferença enquanto privilegia as "santinhas" dão um tom chauvinista à obra. Que se releve, né? Afinal estamos falando do paradigma de garanhão dos idos e, em alguns sentidos, saudosos anos 50/60.
E o filme é divertidíssimo. Os clichês são explorados de modo relevante e piadas picantes podem ser "pescadas" nas entrelinhas. Pra melhorar, a trilha é fantástica: destaque para a empolgante "Return to Sender" e a performance vocal e super fofolete de Elvis junto à duas menininhas chinesas. Válido demais.


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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Bob Mould: Circle of Friends (2007)

Filmado ao vivo no lendário 9:30 Club em Washington, DC em 7 de outubro de 2005, Bob Mould explora canções essenciais de sua carreira. Junto a Brendan Canty (Fugazi), Richard Morel (Morel), e Jason Narducy (Rockets Over Sweden), o show apresenta as composições de Mould da época do Hüsker Dü, do disco Copper Blue do Sugar, e seu lançamento solo mais recente, Body of Song. Circle of Friends é o primeiro show de Bob Mould lançado com sua autorização.


Um registro competente com ótima qualidade de som e imagem de uma apresentação digna e honesta de Bob Mould. Seus característicos picos de rouquidão na voz e guitarra rascante estão lá. Os pontos altos do show são as composições com seu primeiro grupo, o Husker Du, verdadeiros petardos pop vigorosos. Afinal, nas palavras de Lou Barlow: “Taking inspiration from Husker Du/ It’s a new generation of eletric white boy blues!”. Experiência mais do que válida assistir a esta apresentação. Muito mais relevante do que perder tempo com a maioria dos produtos insossos que a indústria pseudo indie vem querendo empurrrar goela abaixo dos consumidores de música nos últimos anos.

 
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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sharktopus (2010)

Dois super biólogos, pai e filha, criam uma arma para a marinha americana: um cruzamento entre um polvo e um tubarão que pode ser controlado através de ondas de rádio. Porém, quando o controle da mente do animal é quebrado, o mesmo parte para o ataque destruindo tudo o que vê pela frente.


Roger Corman é uma figura lendária do cinema. Seu nome é justamente associado a produções de baixo orçamento. Desta associação, escola para muitos atores e diretores considerados "grandes" hoje em dia, brotaram algumas pérolas: "O Homem dos Olhos de Raio-X", "The Intruder", "Bloody Mama", "A Loja dos Horrores" e adaptações cinematográficas de obras de Edgar Allan Poe com destaque para interpretações de Vincent Price; no entanto, de determinado ponto de vista, algumas outras obras podem não ter envelhecido tão bem: "A Mulher Vespa", "Creature from the Haunted Sea" e "Attack of the Crab Monsters". Muito embora tais filmes tenham angariado, de um tempo pra cá, o status de cult/trash com fãs ardorosos, a muitos este subgênero não agrada. Seja dito que "Sharktopus" não irá agradar a estes muitos e sim, talvez, àqueles que sabem apreciar a parte questionável do cinema de Corman, pois o filme de Declan O'Brien é uma homenagem ao questionável. "Sharktopus" dá conta do que se pode imaginar de um filme com tal título e não é desonesto com as expectativas do espectador. Só o nome de Corman nos créditos de produção já é o suficiente para atiçar a curiosidade dos bem-humorados. Sim, bem-humorados. Apenas com eles o filme pode acontecer, pois a auto ironia que é parte do "trash moderno" aparece aqui como sugestão que só pode ser amplificada na receptividade humorística de quem o aprecia.


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American Hardcore (2006)

Esse documentário se foca no nascimento e evolução do punk rock hardcore de 1979 a 1986 (apesar de estar escrito na capa 1980-1986). O documentário explora extensivamente filmagens do underground no auge do movimento hardcore. Contém entrevistas exclusivas com artistas seminais do punk hardcore de bandas como Black Flag, Minor Threat, Bad Brains e outras.
A estrutura do filme se concentra na natureza regional das cenas nos Estados Unidos, com atenção especial dada a Los Angeles, Nova Iorque, Washington e Boston. Outras cenas mal foram mencionadas ou completamente ignoradas, como Chicago, Seattle e Minneapolis.



Bom documentário, embora de um prisma um tanto nostálgico, sobre o hardcore americano do finalzinho dos anos 70 a meados de 80. Fãs mais ardorosos podem reclamar pelo fato de uma ou outra banda de sua predileção não estar representada no filme. Por isso se faz necessário lembrar que todo tema, por mais simples que possa parecer, dificilmente se apresenta em toda sua amplitude em qualquer abordagem que dele se faça.
Dito isto, American Hardcore é relevante para fãs deste tipo de música e curiosos em geral, especialmente aqueles interessados no papel dos movimentos contraculturais na História.


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Salon Kitty (1976)

"O filme aborda a Alemanha Nazista e teria tudo para ser enquadrado entre as produções nazi-exploitation da época, não foge a extrema elegância com que o diretor conduz tudo, o ótimo elenco, boa produção e a maravilhosa Teresa Ann Savoy, que apareceria em seu posterior Calígula.
Para início de conversa, mesmo não tendo cenas explícitas (mas quase), Salon Kitty é com certeza o filme de Tinto que mais se aproxima de Calígula (e também inclui o ator John Steiner em um papel sinistro). Muito do estilo do filme sobre o imperador romano está aqui, incluindo a mistura de cenas eróticas com algo bastante chocante.
A história se passa em Berlin, 1939, numa das fases mais críticas da Segunda Guerra Mundial, e o oficial piradaço Walsenburg (Helmut Berger) recebe a missão de fechar o bordel de Madame Kitty (Ingrid Thulin) e abrir o próprio estabelecimento sob o comando dos nazistas, chamado Salon Kitty.
Nessa missão, Walsenburg treina várias mulheres alemãs, a título de realizar experiencias sexuais delas com homens grotescos, anões, pessoas deformadas, etc. Essa parte inclusive sequer existia direito na versão original lançada nos cinemas, de 110 minutos, apenas na director’s cut, lançada em DVD muitos anos depois, com 133 minutos.
Toda essa conspiração só ocorre, naturalmente, com a anuência da Madame Kitty, que ilude suas meninas, e diz para elas fazerem tudo que os oficiais mandarem. Nesse interim, a jovem prostituta Martherita (Teresa Ann Savoy), é mais curiosa dos que as outras, o que irá causar graves consequências para o Reich."


Tinto Brass é, geralmente, um cineasta de senso erótico safado. E ele continua assim em "Salon Kitty", uma obra-prima. Ela não traz o aspecto mais camp muitas vezes relacionado ao subgênero Nazi exploitation, apesar das semelhanças temáticas. Mais adequado seria associar este filme de Tinto a certo senso crítico pasoliniano e estético de Fassbinder ao retratar o período da Segunda Guerra Mundial; ou seja, só coisa boa.


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domingo, 3 de junho de 2012

Chelsea on the Rocks (2008)


"Documentário sobre o legendário hotel nova iorquino Chelsea. Chelsea é conhecido principalmente pelo grande número de artistas que viveram lá, incluindo: Patti Smith, Sid Vicous, Nancy Spungen, Arthur C. Clarke, William S. Burroughs, Stanley Kubrick, Jane Fonda, entre outros."


Documentário genuíno, ou não, o filme é imperdível para os interessados em figuras influentes na moderna cultura ocidental. Curioso retrato da história de um hotel por onde donos de expressões ímpares passaram criando uma aura de magia demasiadamente grande para qualquer enquadramento.


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Barfly - Condenados pelo Vício (1987)

"Baseado na obra de Charles Bukowski. Henry Chinaski é um escritor alcoólatra que inicia um romance cheio de contradições com Wanda Wilcox, outra freqüentadora assídua dos bares de Los Angeles. Neste cenário, surge uma terceira pessoa que vai mudar a relação do casal."


Filme que melhor representa a obra bukowskiana. Para a experiência ser mais que completa deve-se ler "Hollywood", romance do mestre Bukowski que relataria sua conturbada ligação com questões que envolveram a produção de "Barfly".

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Os Invasores de Corpos - A Invasão Continua (1993)

"Chegando de Washington, a jovem Marti Malone (Gabrielle Anwar) está se mudando com seu pai Steve (Terry Kinney), sua madrasta Carol (Meg Tilly) e seu meio-irmão Andy (Reilly Murphy) para uma base militar, onde seu pai investigará possíveis problemas ambientais e ecológicos. Antes de chegarem eles param num posto de gasolina, onde Marti vai ao banheiro. Lá um militar com olhar ensandecido diz: "te pegam, quando você está dormindo". Marti foge e pede socorro, mas o autor de tão estranho aviso tinha desaparecido. Na base Marti flerta com um piloto, Tim Young (Billy Wirth), e faz amizade com Jenn Platt (Christine Elise), a filha rebelde do general Platt (R. Lee Ermey), o comandante da base. Logo Marti descobre que as pessoas estão sendo substituídas por cópias perfeitas de si mesmas vindas do espaço, mas sem nenhum sentimento, que invadem o corpo delas quando estão dormindo."


Curte o "Vampiro de Almas" de 1956? Queria vê-lo a cores e com mais gore? A possibilidade de Stuart Gordon ser co-roteirista de um filme dirigido por Abel Ferrara te deixa curioso? Se todas as suas respostas foram "sim", veja este remake.


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sábado, 2 de junho de 2012

Oculto na Memória (1997)

"Blackout é um thriller intenso, centrado na vida de Matty (Matthew Modine), um dos maiores astros de cinema do mundo. Cercado por câmeras e sufocado pelos fãs, ele refugia-se no mundo do álcool e das drogas. Sua situação piora quando é abandonado por Annie (Beatrice Dalle), seu verdadeiro amor. Deprimido, Matty perde completamente os sentidos e o senso de realidade; entra em blecaute psicológico. Dezoito meses mais tarde, encontramos Matty vivendo em Nova Iorque com a bela Susan (Claudia Schiffer), onde parece ter se livrado inteiramente do passado. É ai que ele começa a ser assombrado por pesadelos onde aparece cometendo um crime. Aterrorizado pela possibilidade de ser um assassino, Matty torna-se obcecado por descobrir a verdade. Retorna, então, a Miami, para desvendar o mistério. Será que a verdade irá ruir as vidas de todos os que vivem ao seu redor?"


Filme tenso. Como alguns dos melhores de Ferrara, a obra divaga sobre o vazio da existência e a eterna busca aliviada nas drogas. Obsessões e perversões que fazem parte da vida abordadas com elegância e profundidade. Metáforas soberbas como um personagem nadando perdido no oceano para encontrar seu "fim". Aí, num vislumbre, percebe-se uma espécie de redenção. Sim, metáforas soberbas e, às vezes, tão óbvias que têm uma função quase transcendental.

Trailer legendado.

End of the Century - The Story of the Ramones (2003)

"O filme segue a história da banda dos Ramones, a banda mais influente do mundo punk, durante 22 anos de turnês, desde o começo no famoso ponto underground de Nova Iorque, o CBGB, até a sua premiação no Rock and Roll Hall of Fame."


Pungente e comovente, sem ser piegas, retrato de uma das bandas mais influentes do rock'n'roll. "End of a Century" capta toda a complexidade dos integrantes dos Ramones esmiuçando as engrenagens da banda. Muitos mitos são desfeitos na criação de mais magia. "Hey, ho, let's go!"

Filme completo no youtube sem legenda.

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Mediafire Parte 1
Mediafire Parte 2
Senha: www.musicground.com.br

Balada Sangrenta (1958)

"Em Nova Orleans vive Danny Fisher (Elvis Presley), um jovem que tinha se envolvido com gangues. Danny trabalha como cantor de bares à noite, se tornando um grande sucesso. Até que ser obrigado a cantar na casa noturna de um gângster."


Não é segredo para os fãs de Elvis que seu sonho era ser um Marlon Brando ou James Dean. De todos os filmes que o Rei do Rock protagonizou, "King Creole" é o que maior margem dá às suas aspirações iniciais. Os dramas familiares e a delinquência juvenil, temas recorrentes nos papéis tanto do jovem Brando quanto de Dean, se encontram bem explorados na direção coesa de Michael Curtiz - que extrai de seu protagonista uma interpretação convincente, mesmo que algumas vezes genérica, inspirada em seus ídolos.
E o que dizer dos números musicais? Ótimos, reverberantes e inesquecíveis são alguns dos adjetivos. O cenário para sua apresentação é Nova Orleans, berço do jazz e casa de boa parte do blues de raiz, também denominado blues rural. Elvis Presley está à vontade, num ambiente propício, em grande fase apresentando um repertório que é puro rock´n´roll em suas mais distintas ramificações, como queiram chamar especialistas: blues, rockabilly, folk e etc. Nota 10.


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Miranda (1985)


"Miranda é a bela e sensual proprietária da pousada à espera de seu marido desaparecido na guerra. Entre seus vários pretendentes, um alto diplomata, um caminhoneiro, o treinador americano e Toni. Miranda se apaixona por Toni e decide se casar com ele. De agora em diante a pousada será chamada de 'Miranda.'"


O filme é óbvio em sua objetividade. Para além da nostalgia, esta "comédia erótica" de Tinto Brass triunfa pela voluptuosidade do poder de sugestão. Paradoxalmente aos inúmeros "gonzos" com os quais a internet brinda os tempos modernos, a sinfonia da sedução espelhada por Serena Grandi lembra o espectador da excitação que não imediata. "Permitir-se... demorar-se nas delícias", uma boa e válida leitura contemporânea desta obra.


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Hotfile Parte 2
Hotfile Parte 3

sexta-feira, 1 de junho de 2012

The Crimson Ghost (1946)

Um gênio do crime conhecido como The Crimson Ghost tenta roubar um aparelho chamado Cyclotrode, que pode causar curto-circuito na corrente elétrica de todo o planeta.



Na verdade uma espécie de série que passava antes das sessões principais nos anos 40, neste caso denominada um "Republic film serial", formada por pequenos episódios em que o final sempre instigava a curiosidade do espectador, de maneira que este voltasse ao cinema, mesmo que a atração principal permanecesse em cartaz, só para checar o "próximo capítulo".
Projeto extremamente eficaz para a época e, considerando seu contexto original, muito divertido para o espectador dos dias atuais, principalmente se este for fã do grupo de rock The Misfits e compreender o espírito das produções de horror B de tal era.


Assista ao primeiro episódio da série dividido em duas partes no youtube:




Suplício De Uma Alma (1956)

"Um jornalista monta um expor a fragilidade do sistema judicial. O plano era o de forjar evidências que levassem seu futuro genro à cadeia por assassinato para depois desmascarar a armação e humilhar o advogado do distrito. Mas a situação fica perigosa quando a pessoa que traria as provas para inocentar o jovem morre em um acidente de carro."




O suplício de um grande diretor tem medida em suas maiores obras. Por exemplo: "Meia Noite em Paris" é um bom filme; no entanto, se comparado a "Annie Hall" ou "Manhattan", toma dimensões imensamente menores. Este é o caso de "Suplício de uma Alma", do genial Fritz Lang. O filme é ótimo. Seu ponto destacando a ineficácia e/ou inexistência da justiça humana faz-se presente através de inúmeros recursos metalinguísticos e dialéticos. Contudo, em certos aspectos, principalmente no que tange à última reviravolta da trama, o obra pode parecer datada. 
Fato é que a sombra de filmes como "Metropolis" e "M - O Vampiro de Dusseldorf" a faz parecer menor, mas não sem valor.




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